2010 teve muitas coisas boas. Entre outras, salvação em tempos duros. A vida dá muitas voltas e há braços que sabemos que estão sempre lá.
28 de janeiro de 2011
2 de janeiro de 2011
he's a working man
none can stay his hand
his are the three
faces of time
we keep walkin
and thinkin things to talk about
down on our prayer bones in line
go into the lords house
go in a mile
the world will bow
the knees will be broken for those who don't know how
he delights not in the streghth of horses
he takes no pleasure not in the cleverness of men
28 de dezembro de 2010
Esforço optimista
Sou uma barata de pernas para o ar a espernar, a espernear, como o outro. Se fosse uma borboleta queimava as asas numa lâmpada qualquer. Mas ficar para aqui assim é morrer de fome e de frio e cansar-me um dia de espernear e ir-me embora sem ter visto a luz de perto, nem que por um segundo. Bom era ser cavalo a correr na pradaria, musculado, forte. Mas dizem que se houver um desastre nuclear os cavalos morrem e as baratas não. Não se pode ter tudo. Eu nunca fui muito de correr, mas vou-me aguentando à bronca. Se espernear muito, com muita força, pode ser que me endireite. Ou que apareça alguém que me dê uma mãozinha. É preciso ter esperança.
Ladainha
Ai quem me dera não viver fora do tempo, entre o passado e o futuro, entre as nostalgias e os sonhos. Quem me dera que os meus pés corressem na estrada, na terra, na erva, na areia, na neve, na lama do chão. Quem me dera ser alegre e passar mais tempo a sorrir e menos tempo a cerrar os dentes e os punhos. Quem me dera que alguém pudesse ensinar-me a ser criança outra vez para ter tempo para brincar mais e pensar menos e por isso ser menos velha por dentro. Quem me dera que a vida me fosse mais leve. Quem me dera. Quem?
23 de novembro de 2010
Entre a espada e a parede
A hora mudou para o cedo se fazer tarde. É o tempo das castanhas no lume, que o meu nariz persegue na rua com prazer. A chuva molha-me as botas a caminho do trabalho, mas o que eu queria mesmo era chapinhar nas poças e ficar a olhar para as gotas que caem, com a boca aberta, à espera de matar uma sede qualquer. O verão passou tão depressa, tão depressa que eu já não sei ler nem escrever. Há outra vez uns braços que vêm mas que em breve partirão e eu para aqui sempre a olhar para o meu próprio ventre e a pensar de onde veio esta cicatriz redondinha e como dar-lhe a volta por fora sem torcer o pescoço. Quero saber o sabor dos dias e das noites sem sobressaltos como quando era só eu e a chuva. Tenho saudades e nem sei de quê.
2 de novembro de 2010
Isso
"Much of the modern clash between science and religion focuses on questions about whether God exists independently or is a construct of the brain and whether the soul lives on after the body or ends when the brain dies. Are these crucial religious questions? I would argue that they are not. For the vast majority of people, religion is a way of life. It is about community and music, place and food, comfort and emotional support. It is, like all of human culture and experience, a function of our peculiar neurobiology, and we should try to appreciate it as such."
Michael Graziano, Big Questions Online
And he does it, oh yes he does
“When I’m on stage I want to rip your throat off with the music, I want to beat you into a pulp with the law. I bring the law, I bring it! So you wanted to live by it? You wanna know what’s good and evil? OK, let’s talk about it, if you wanna live by your expectations or someone else’s. But I know that you can’t do it, and I wanna help you get there real quick, to the point where you realize that you’re completely hopeless without the mercy of God” – David Eugene Edwards.
WOVENHAND - Your Russia from Stefan Raduta on Vimeo.
1 de novembro de 2010
Optimismo invertebrado
"Quando perco tudo, resta-me Deus. Se afasto Deus, encontro-te. Não se pode ter ao mesmo tempo a noite imensa e o sol".
Marguerite Yourcenar, Fogos
Marguerite Yourcenar, Fogos
25 de setembro de 2010
O som das palavras
Gosto mais de umas palavras que de outras. Umas pelo significado, outras pelo som. Perguntas-me de que palavras gosto mais e eu digo-te que gosto da palavra tempo, porque me lembra o som dos sinos que tocam. Sempre gostei do som dos sinos, sobretudo desde que comecei a viajar para outros países e a ouvi-los com a atenção particular dos viajantes pelo novo, pelo distante. Para ti o tempo tem o som do bater de um coração: tem-po, tem-po, tem-po, dizes-me. Encosto a cabeça ao teu peito. A partir deste momento, o som do tempo mudou para sempre.
16 de setembro de 2010
Folhas de Outono
Mal ou bem, com as folhas do Outono há sempre coisas boas a entrar na minha vida. É por isso que anseio sempre um pouco a sua chegada. Num dos primeiros dias de Outono do ano passado, ao passar numa rua do meu bairro, percebi que as folhas das árvores tinham começado a ficar amarelas. Então olhei para cima e, nesse preciso instante, uma delas soltou-se e caiu lentamente, ondulando com o vento, até eu esticar a mão e a apanhar com cuidado. Guardei-a na mala e tive-a em cima do móvel do hall até há pouco tempo. Espero poder substituí-la em breve.
14 de setembro de 2010
Regresso a casa
Lentamente, faço as pazes com a cidade que me adoptou. Começo a levar-me menos a sério e, por isso, a deixar-me levar pela vida. Encontro uma muito ansiada espécie de paz. O sol já não me cansa da mesma maneira, embora o meu corpo mole anseie a frescura do Outono, se não mesmo o frio do Inverno. Agora já me apetece outra vez ler romances tristes e profundos, com cenários bucólicos e personagens silenciosos e distantes. As suas dores já não me agridem e já não preciso do calor dos outros para me esquecer de mim. Um dia ainda hei-de perceber porque é que, ao contrário de quase toda a gente, me sinto feliz com a proximidade do Outono. Porque é que só tenho forças para me enfrentar quando a natureza começa a morrer devagarinho e anoitece cada vez mais cedo. Se eu não tivesse feito as pazes com esta cidade, tentava emigrar para uma terra fria com neve e com alces. Ainda um dia hei-de ansiar o Verão como quem deseja uma boca quente e húmida para beijar.
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