2 de março de 2011

26 de fevereiro de 2011

Eu fico com o que não está escrito

Esta noite sonhei que estava numa sala de jantar cheia de pessoas, sentadas a comer numa grande mesa. O ambiente era festivo mas eu sentia alguma estranheza em relação a todas as pessoas, como se tivesse acabado de chegar de uma viagem de muitos anos. Uma mulher alta como uma deusa, morena e com grandes olhos verdes levantou-se da cabeceira da mesa e veio abraçar-me. Perguntou-me então porque é que eu amo tanto a natureza, porque é que me entusiasmo tanto com pequenos detalhes nas conchas da praia e nas sementes que caem das árvores, com os animais todos, dos grandes mamíferos aos pequenos insectos, com a luz do sol ou o azul do céu. Respondi-lhe que é assim porque para mim a natureza é Deus e assim O posso amar em todas as coisas, pequenas e grandes, que me rodeiam. Ela abriu as mãos, cobriu-me o rosto e disse-me que ficava muito feliz por saber que eu tinha percebido isso, que é assim mesmo.

“-Ein Sof? – pergunta o frade, aludindo ao conceito cabalístico de um Deus incognoscível que não possui quaisquer atributos reconhecíveis. E vendo o meu assentimento, continua: - É pouco o conforto de um Deus que está para além de todas as coisas.
- Ah, conforto... Para isso, meu caro amigo, o que preciso é de uma mulher que se deite à noite comigo e filhos para abraçar, não um Deus. Pode ficar com o Senhor escrito nas páginas do Velho e do Novo Testamento para si. Eu fico com o que não está escrito.”

O último Cabalista de Lisboa, Richard Zimler

20 de fevereiro de 2011

1 de fevereiro de 2011

Um sonho



28 de janeiro de 2011

Alguns balanços (hallelujahs e mojitos)

2010 teve muitas coisas boas. Entre outras, salvação em tempos duros. A vida dá muitas voltas e há braços que sabemos que estão sempre lá.

















2 de janeiro de 2011

he's a working man
none can stay his hand
his are the three
faces of time
we keep walkin
and thinkin things to talk about
down on our prayer bones in line

go into the lords house
go in a mile
the world will bow
the knees will be broken for those who don't know how
he delights not in the streghth of horses
he takes no pleasure not in the cleverness of men

28 de dezembro de 2010

É pegar nos problemas como se fossem bolotas e carregar só um de cada vez...

Esforço optimista

Sou uma barata de pernas para o ar a espernar, a espernear, como o outro. Se fosse uma borboleta queimava as asas numa lâmpada qualquer. Mas ficar para aqui assim é morrer de fome e de frio e cansar-me um dia de espernear e ir-me embora sem ter visto a luz de perto, nem que por um segundo. Bom era ser cavalo a correr na pradaria, musculado, forte. Mas dizem que se houver um desastre nuclear os cavalos morrem e as baratas não. Não se pode ter tudo. Eu nunca fui muito de correr, mas vou-me aguentando à bronca. Se espernear muito, com muita força, pode ser que me endireite. Ou que apareça alguém que me dê uma mãozinha. É preciso ter esperança.

Ladainha

Ai quem me dera não viver fora do tempo, entre o passado e o futuro, entre as nostalgias e os sonhos. Quem me dera que os meus pés corressem na estrada, na terra, na erva, na areia, na neve, na lama do chão. Quem me dera ser alegre e passar mais tempo a sorrir e menos tempo a cerrar os dentes e os punhos. Quem me dera que alguém pudesse ensinar-me a ser criança outra vez para ter tempo para brincar mais e pensar menos e por isso ser menos velha por dentro. Quem me dera que a vida me fosse mais leve. Quem me dera. Quem?

23 de novembro de 2010

Medronhos maduros

Entre a espada e a parede

A hora mudou para o cedo se fazer tarde. É o tempo das castanhas no lume, que o meu nariz persegue na rua com prazer.  A chuva molha-me as botas a caminho do trabalho, mas o que eu queria mesmo era chapinhar nas poças e ficar a olhar para as gotas que caem, com a boca aberta, à espera de matar uma sede qualquer. O verão passou tão depressa, tão depressa que eu já não sei ler nem escrever. Há outra vez uns braços que vêm mas que em breve partirão e eu para aqui sempre a olhar para o meu próprio ventre e a pensar de onde veio esta cicatriz redondinha e como dar-lhe a volta por fora sem torcer o pescoço. Quero saber o sabor dos dias e das noites sem sobressaltos como quando era só eu e a chuva. Tenho saudades e nem sei de quê.

2 de novembro de 2010

Ansel Adams











Isso

"Much of the modern clash between science and religion focuses on questions about whether God exists independently or is a construct of the brain and whether the soul lives on after the body or ends when the brain dies. Are these crucial religious questions? I would argue that they are not. For the vast majority of people, religion is a way of life. It is about community and music, place and food, comfort and emotional support. It is, like all of human culture and experience, a function of our peculiar neurobiology, and we should try to appreciate it as such."

Michael Graziano, Big Questions Online