8 de março de 2010
Curiosamente, até estou bem disposta
Instincts that can still betray us
A journey that leads to the sun
Soulless and bent on destruction
A struggle between right and wrong
You take my place in the showdown
I'll observe with a pitiful eye
I'll humbly ask for forgiveness
A request well beyond you and I
Heart and soul, one will burn
Heart and soul, one will burn
An abyss that laughs at creation
A circus complete with all fools
Foundations that lasted the ages
Then ripped apart at their rootsBeyond all this good is the terror
The grip of a mercenary hand
When savagery turns all good reason
There's no turning back, no last stand
Heart and soul, one will burn
Heart and soul, one will burn
Existence well what does it matter?
I exist on the best terms I can
The past is now part of my future
The present is well out of hand
The present is well out of hand
Heart and soul, one will burn
Heart and soul, one will burn
16 de fevereiro de 2010
Reciprocidade
Não me parece hoje haver maior ingratidão que a de não receber o amor que se nos oferece. Porque não se quer, porque não se sabe ou porque não se quer saber. Sempre gostei de dar. Dar de mim aos outros. Qualquer coisa que se dê, seja um presente ou apenas um gesto ou um sorriso, leva-nos para fora de nós e assim nos cumprimos como seres humanos. Isso é amar os os outros e amarmo-nos a nós próprios. Quando o que damos se esfuma no ar, esfumamo-nos também um pouco. Mas não se pode desistir. Se soubermos dar e receber, saberemos tirar o melhor de nós e dos outros. O amor, como o ódio, espalha-se e reproduz-se. E também se pode aprender, se se quiser. Eu sempre gostei de dar. Às vezes as pessoas não recebem. O melhor é virarmo-nos para os que estão interessados. Investimos nessas pessoas e elas investirão noutras. Estas coisas muito simples demoram muito tempo a aprender. Dentro de mim, perdoo o que antes me era impossível perdoar.
11 de fevereiro de 2010
Civilização
Hoje, numa rua central de Lisboa, capital de Portugal, vi uma senhora muito distinta meter um guarda-chuva partido no ecoponto amarelo.
29 de janeiro de 2010
26 de janeiro de 2010
24 de janeiro de 2010
16 de janeiro de 2010
10 de janeiro de 2010
Precisamente isto
"Cada ves más, quedarme solo es volver a encontrarme con alguien que quizá siempre me acompaña, pero que únicamente aparece, reaparece, cuando no hay absolutamente nadie."
Ramón Gaya, Diario de Un Pintor
8 de janeiro de 2010
2010
Dois mil e dez. Dois zero um zero. Só hoje é que olhei para a data com atenção. Só hoje é que percebi que mudou o número e mudou o ano e também mudou a década.
6 de janeiro de 2010
Ressaca (do Português Suave)
Cêgripe, lenço de papel, chá quentinho, casaco de lã, xarope para a tosse, antibiótico, lenço de papel, mais chá quentinho, aquecedor, edredão de penas, anti-inflamatório, termómetro, lenço de papel, olhos a arder, garganta a doer, pastilhas, rebuçados, colheres de mel, tosse, tosse, tosse, quero fumar um cigarro... Aliás, quero fumar um maço de tabaco INTEIRO!
5 de janeiro de 2010
Tecituras
Há já algum tempo que me apetecia tricotar. Gostava de fazer um cachecol colorido, daqueles muito básicos, lã grossa, risca verde, risca amarela, risca vermelha, risca azul. Quando numa ida a uma loja de chineses vi meadas de lã alinhadinhas nas prateleiras a meia dúzia de cêntimos, fiquei ainda com mais vontade. No Natal, entre outras coisas, aproveitei para pedir à minha mãe que me relembrasse umas quantas coisas básicas e me emprestasse agulhas de tricotar. Das grossas! E desde então estou viciada no tricot e no cachecol que vejo crescer-me dos novelos e dos dedos com entusiasmo. Parece que tenho um jogo novo qualquer. Como quando fiz um puzzle de três mil peças e todos os dias pensava em vir para casa a correr para fazer mais um bocadinho. Mas como os jogos que viciam, a coisa entrou-me num destes dias pelo sono adentro quando estava ainda naquela vigília entorpecida do adormecer em que as coisas são sonhos e são coisas e se mistura tudo. Comecei a pensar num texto para escrever e estava a ditá-lo a mim própria para não me esquecer dele e de repente já estava a escrevê-lo aqui mas escrevê-lo era tricotá-lo nas minhas lãs coloridas e eu via o cachecol de ideias a crescer no ecrã do computador à medida que ia escrevendo. Lembrei-me de quando era pequena, jogava horas e horas de tetris e quando ia deitar-me fechava os olhos e adormecia a ver peças coloridas a cairem cada vez mais depressa pelo meu sono abaixo.
16 de dezembro de 2009
Sufjan Stevens
Gosto tanto das canções que este rapaz escreve
E porque é Natal e eu este ano estou particularmente natalícia
12 de dezembro de 2009
7 de dezembro de 2009
Partida
Fim de semana das viagens de autocarro entre as minhas duas cidades minhas duas casas minhas duas mães. Talvez me sinta mais feliz que nunca quando viajo por ser assim desenraizada, assim de um meio qualquer, de um entre sítios vários, casas, mães, raízes de fora. Hoje decidi prolongar a estadia e sair mais tarde. Pude passar mais tempo com a família e a lareira e os confortos de não fazer nada e ter tudo à mão. É já noite quando parto. Sento-me no autocarro. Chove bastante lá fora. Encosto a cabeça para trás e escolho a música que vou ouvir. O autocarro arranca e eu carrego no play. Imediatamente as imagens e as sensações se me atropelam garganta acima. E sou eu cheia de cores e dores a ir de um lado para outro e com tanta coisa cá dentro e as coisas todas precisavam de um sítio para estar mas eu não tenho esse sítio porque dentro de mim também há sempre comboios a partir e aviões a descolar e o clima é instável por isso não é fácil eles regressarem porque há sempre cheias e nevões e tempestades de areia e vulcões e as coisas nunca regressam ao mesmo sítio porque a lava e as avalanches são assim mesmo e tudo muda de sítio, tudo muda de sítio, nunca nada nunca mais outra vez igual me deixa descansar e ganhar raízes. E ainda por cima agora vai ser Natal outra vez. Volta a ser outra vez obrigatório as pessoas sentirem coisas boas, estarem felizes, em paz e harmonia. Volto a estar sempre triste por saber que não sou feliz, por saber que não consigo ser como as outras pessoas nessas coisas simples e banais como gostar de conduzir e de bebés e de caracóis e do Natal e da passagem de ano e de estar feliz porque é festa e é tempo de alegria. E gostava de ter coragem para ser o que devia ser mas para isso é preciso cortar logo as primeiras raízes mal elas comecem a nascer e eu sempre tive medo disso, da dor de as cortar logo em rebento e de tentar ir ganhar outras para outro sítio qualquer ou de tentar viver sem elas para sempre como algumas pessoas vivem sem um rim ou sem uma perna. Ainda assim, dizem que essas pessoas às vezes têm dores nos órgãos e nos membros que perderam. Deve ser o cérebro delas que não os quer perder. O meu se calhar não quer perder as raízes e por isso doem-me mesmo aquelas que nem chego a ter e as que eu já não tenho porque tive de as cortar para me nascerem asas. Sobre as asas é que eu percebo ainda menos. As pessoas voam muito muito muito mas depois caem mais que os aviões e toda a gente sabe que neste tipo de desastres há sempre muitas perdas...
29 de novembro de 2009
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