26 de outubro de 2008
16 de outubro de 2008
Valsa Quase Antidepressiva
Dança comigo a primeira valsa da Primavera
Dança sem sonhos, esquece as promessas, ninguém nos espera
Já enchi os dias de lutas vazias: estou gasto, cansado, dormente
E a um pouco de sexo, ou muita poesia, ainda não fico indiferente
Fala comigo na palavra falsa da fantasia
Chovem amigos na festa da praça do meio dia
É certo que as flores parecem maiores que toda a virtude do mundo
Com um pouco de sexo, ou muita poesia, ainda me sinto profundo.
Se este mundo fosse feito para ser doce eu seria doce fosse eu quem fosse
Foge comigo na última volta da maratona
Nada comigo num lago indeciso de metadona
Já deixei as asas na cave da casa e as chaves no fundo do mar
Com um pouco de sexo, ou muita poesia, ainda nos vamos casar
JP Simões
7 de outubro de 2008
Valerá a pena?
E não é que os dias encolhem mesmo?
E o Sol.
E o tempo.
E o sono.
E a vontade.
A única coisa que não encolheu por aqui foi o trabalho...

E o Sol.
E o tempo.
E o sono.
E a vontade.
A única coisa que não encolheu por aqui foi o trabalho...

15 de setembro de 2008
September Song
Well, it's a long, long time
From May to December.
But the days grow short,
When you reach September.
And the autumn weather
Turns the leaves to gray
And I haven't got time
For the waiting game.
And the days dwindle down
To a precious few
September, November
And these few precious days
I spend with you.
These precious days
I spend with you.
From May to December.
But the days grow short,
When you reach September.
And the autumn weather
Turns the leaves to gray
And I haven't got time
For the waiting game.
And the days dwindle down
To a precious few
September, November
And these few precious days
I spend with you.
These precious days
I spend with you.
14 de setembro de 2008
11 de setembro de 2008
Silêncio
Lembro-me de apagar as luzes, de fechar as portas e as janelas, de ficar fechada no mofo e no escuro durante muito tempo, mas sempre houve vozes a acompanhar-me, a dar-me indicações, a guiar os meus passos trémulos pelos meus corredores. Essas vozes sempre me fizeram sentir velha por dentro, como se a minha vida tivesse muitas vidas dentro dela e assim, nesse abismo infinito, a minha história não tivesse um princípio com dia e hora marcados, ao contrário do que dizem os meus pais. E sempre aprendi, sempre cresci, mesmo quando tinha de ouvir aquelas coisas que nos magoam e nos aparecem passado muito tempo num sonho qualquer. Mas agora sinto que alguma coisa mudou. Embora haja já alguma luz a entrar, o silêncio é uma almofada gigante dentro do meu peito e eu acordo de manhã a cuspir bolas de algodão. Este silêncio só se sente quando se ouve e, por algum motivo, se fica surdo. Para sempre. É o tipo de silêncio que me afasta da realidade dos outros e me deixa descansar um bocadinho. Descansar dessas vidas todas que me envelhecem, descansar das vidas dos outros. Este silêncio é o meu Outono, é a minha morte, necessária para que haja Primavera dentro do meu peito outra vez e as vozes possam, então, não se calar.
5 de setembro de 2008
4 de setembro de 2008
Salvem os macaquinhos do sótão
Nos últimos dias os macaquinhos do meu sótão têm estado meio ausentes. Passam muito tempo a ler cartas antigas, a ver filmes daqueles em Super 8, amarelos e cheios de riscos. Contam histórias uns aos outros, pensam nos tempos em que foram felizes, olham pela janela e suspiram. De vez em quando levantam-se, abrem a janela e inspiram o ar fresco para se manterem despertos para o mundo que está lá fora. Não peçam é aos macaquinhos para se concentrarem em coisas práticas do dia-a-dia, porque agora eles não vão conseguir. Agora só querem viver das suas memórias como se já fossem muito velhos e o mundo já não tivesse nada de bom para lhes ensinar. Eles abrem os jornais e acham que está tudo mal no mundo inteiro, que isto vai ser sempre igual, dia após dia, ano após ano, ou então que isto está tudo cada vez pior, como os velhinhos. Se alguém lhes perguntar alguma coisa eles vão demorar a responder ou então não respondem porque estavam distraídos e não ouviram. Não lhes apetece trabalhar, não lhes apetece conversar com outras pessoas, não lhes apetece ouvir música, não lhes apetece comer nem beber e dormir é difícil porque estão cheios de insónias. Acordam a meio da noite e pensam que o cão da vizinha devia morrer ou que a própria vizinha, a dona do cão, devia morrer, ou que todos os inquilinos do prédio deviam morrer. E no fundo os macaquinhos até são bonzinhos, estão é numa fase má. Por isso deve dar-se-lhes espaço e tempo para eles remexerem nos baús todos porque eu sei que eles mais dia menos dia hão-de fartar-se. Até lá talvez alguém possa ter alguma ideia. Vamos esperar.
1 de setembro de 2008
A normalidade é um mito
"Ora bolas, a nossa história de amor é mesmo especial! Nada convencional, admito, mas há alguma coisa que seja convencional? Basta levantar a tampa de qualquer vida e o que se vê a borbulhar é estranheza; por trás de cada porta só há idiossincrasias e bizarrias. A normalidade é um mito. Os seres humanos não são normais. Somos uma raça esquisita, essa é que é a verdade: apanhada, chanfrada."
18 de agosto de 2008
Sonho de uma noite de Verão

Nem sempre podemos fazer as coisas quando queremos e como queremos. O que acontece normalmente é que fazemos planos, para as coisas correrem sempre de forma absolutamente diferente do que planeámos. O meu último fim de semana é a prova irrefutável de que o dia 15 de Agosto é o pior dia do ano inteiro, pelo menos na península ibérica, para tentar planear sair de casa, seja para onde for.
A ideia começou por fazer sentido porque é Verão, porque eu e o Zé gostamos de ir à praia, de acampar, de passar alguns dias num sítio longe de Lisboa, do trânsito, do computador, da playstation e dos programinhas da TV. Parecia perfeito imaginar-me num canto qualquer com uma pequena tenda e uma rede, à sombra de uma árvore a ler um livro ou simplesmente a dormitar ao som do vento e do canto dos pássaros. E assim, uma pequena tenda, uma rede, umas mantas para por no chão e alguma roupa são metidos num carro para zarpar rumo à costa vicentina, com um camping como destino. Para ajudar, o Zé decidiu estrear o GPS e contámos com um simpático clone da Conceição Lino a dizer-nos para virar à esquerda ou à direita, sem termos de andar às voltas com um mapa gigante que eu tenho sempre dificuldade em voltar a dobrar da mesma maneira.
Chegados ao camping, percebemos que não ia haver espaço para tranquilidades porque meio Portugal e mais um ou dois quintos de Espanha decidiram enfiar-se em tendas nos metros quadrados mais próximos da nossa costa. Camping um, camping dois, camping três, enfim... Muitas tentativas e muitas centenas de quilómetros depois, eis-nos a aterrar em Sesimbra, no meio da noite, para nos enfiarmos num pequeno iglo entre vizinhos com graves problemas respiratórios que me impediram de pregar olho a noite inteira. Tudo junto só podia melhorar ainda mais com uma bela reviravolta do clima que nos presenteou com umas gordas nuvens cinzentas por cima da cabeça, a descarregar um pouco da sua ira molhada sobre o que restava do projecto de fim de semana e do pequeno sonho de Verão. Ainda tentámos tomar o pequeno almoço e descemos a encosta rumo ao bar, passando pela ala das famílias que levam tudo o que possa haver em lona ou plástico e montam as suas vivendas de férias em dois metros quadrados, mas a chuva molhou-nos o café e, assim sendo, desistimos.
Dissemos adeus ao fumo das sardinhas, à chuva na praia, às tendas, aos estóicos campistas que ficaram para trás na fila para o duche quente com os chinelos na mão, na fila para a casa de banho, na fila para o pão, na fila para o café, na fila para entrar ou para sair e regressámos a casa, à nossa cama confortável, ao nosso sofá e à TV e ao computador e à internet e à Playstation e passámos o resto do fim de semana tranquilamente enroscados em lençóis lavados a cheirar a amaciador. (O nosso gato agradece a nossa companhia a todas as famílias que decidiram acampar este fim de semana!).
A ideia começou por fazer sentido porque é Verão, porque eu e o Zé gostamos de ir à praia, de acampar, de passar alguns dias num sítio longe de Lisboa, do trânsito, do computador, da playstation e dos programinhas da TV. Parecia perfeito imaginar-me num canto qualquer com uma pequena tenda e uma rede, à sombra de uma árvore a ler um livro ou simplesmente a dormitar ao som do vento e do canto dos pássaros. E assim, uma pequena tenda, uma rede, umas mantas para por no chão e alguma roupa são metidos num carro para zarpar rumo à costa vicentina, com um camping como destino. Para ajudar, o Zé decidiu estrear o GPS e contámos com um simpático clone da Conceição Lino a dizer-nos para virar à esquerda ou à direita, sem termos de andar às voltas com um mapa gigante que eu tenho sempre dificuldade em voltar a dobrar da mesma maneira.
Chegados ao camping, percebemos que não ia haver espaço para tranquilidades porque meio Portugal e mais um ou dois quintos de Espanha decidiram enfiar-se em tendas nos metros quadrados mais próximos da nossa costa. Camping um, camping dois, camping três, enfim... Muitas tentativas e muitas centenas de quilómetros depois, eis-nos a aterrar em Sesimbra, no meio da noite, para nos enfiarmos num pequeno iglo entre vizinhos com graves problemas respiratórios que me impediram de pregar olho a noite inteira. Tudo junto só podia melhorar ainda mais com uma bela reviravolta do clima que nos presenteou com umas gordas nuvens cinzentas por cima da cabeça, a descarregar um pouco da sua ira molhada sobre o que restava do projecto de fim de semana e do pequeno sonho de Verão. Ainda tentámos tomar o pequeno almoço e descemos a encosta rumo ao bar, passando pela ala das famílias que levam tudo o que possa haver em lona ou plástico e montam as suas vivendas de férias em dois metros quadrados, mas a chuva molhou-nos o café e, assim sendo, desistimos.
Dissemos adeus ao fumo das sardinhas, à chuva na praia, às tendas, aos estóicos campistas que ficaram para trás na fila para o duche quente com os chinelos na mão, na fila para a casa de banho, na fila para o pão, na fila para o café, na fila para entrar ou para sair e regressámos a casa, à nossa cama confortável, ao nosso sofá e à TV e ao computador e à internet e à Playstation e passámos o resto do fim de semana tranquilamente enroscados em lençóis lavados a cheirar a amaciador. (O nosso gato agradece a nossa companhia a todas as famílias que decidiram acampar este fim de semana!).
10 de agosto de 2008
Nostalgias
Falta-me tempo dentro da alma, por isso não tenho calma. Sufocam-me os dedos dos outros por entre os meus dias vazios e já não consigo escolher desenrolá-los do meu pescoço. Quem me dera que os dias e as noites voltassem a ser só isso mesmo e os cheiros das coisas andassem de novo no ar. Subir a um banco e espreitar à janela as cores que passam na rua. Outra vez as nuvens, o mar, o pão e sabê-los de cor no meu peito e na minha língua e desmontar problemas e correr sem apanhar ninguém.
Para quando o final destas dores de regressar, destas ânsias de procurar-me onde me perdi? Espero sentada à luz de um candeeiro que as chuvas regressem à minha cidade para percorrer as suas infinitas ruas debaixo do avassalador cinzento do Inverno porque já não sei distinguir o Verão no meio das coisas todas que me pedem para fazer.
Para quando o final destas dores de regressar, destas ânsias de procurar-me onde me perdi? Espero sentada à luz de um candeeiro que as chuvas regressem à minha cidade para percorrer as suas infinitas ruas debaixo do avassalador cinzento do Inverno porque já não sei distinguir o Verão no meio das coisas todas que me pedem para fazer.
16 de julho de 2008
SO REAL
Love, let me sleep tonight on your couch
And remember the smell of the fabric
Of your simple city dress
Oh... that was so real
We walked around ‘til the moon got full like a plate
The wind blew an invocation and I fell asleep at the gate
And I never stepped on the cracks 'cause I thought I'd hurt my mother
And I couldn't awake from the nightmare that sucked me in and pulled me under
Pulled me under
Oh... that was so real
I love you, but I'm afraid to love you
I love you, but I'm afraid to love you
Jeff Buckley
And remember the smell of the fabric
Of your simple city dress
Oh... that was so real
We walked around ‘til the moon got full like a plate
The wind blew an invocation and I fell asleep at the gate
And I never stepped on the cracks 'cause I thought I'd hurt my mother
And I couldn't awake from the nightmare that sucked me in and pulled me under
Pulled me under
Oh... that was so real
I love you, but I'm afraid to love you
I love you, but I'm afraid to love you
Jeff Buckley
15 de julho de 2008

O sentido maior de todas as coisas. Nos últimos dias as dúvidas todas, as clássicas, juntaram-se na minha cabeça. Quando estou assim parece que há qualquer coisa que muda e acontecem coisas diferentes. Os sentimentos esticam-se. Os fios entrelaçam-se todos, formam um tecido que me enrola.
Lembro-me de acordar de manhã e olhar tudo à minha volta com a estranheza de quem não compreende como aterrou aqui, como se tivesse viajado no tempo e no espaço e não fizesse parte, de facto, desta era em que andamos para lá e para cá de carro e a falar ao telemóvel, como se tudo estivesse em suspenso para além de mim e eu pudesse pensar a realidade a partir de fora. Penso no tempo da terra. Não sinto o tempo da minha vida mas o tempo das coisas todas, o tempo do universo. Pergunto-me se o que podemos ter ganho supera tudo o que temos vindo a perder... Esta sensação é-me surpreendentemente dolorosa, desperta todas as minhas solidões adormecidas, domesticadas, aperta-me o pescoço até as lágrimas começarem a cair-me em silêncio. O meu corpo muda, fraqueja, não consigo fazer com que ele acompanhe a velocidade dos meus pensamentos. Permaneço demasiado tempo à espera de revelações, de explicações.
Quando chego aqui tento perceber o que me trouxe de volta à nuvem cinzenta das indefinições. Desta vez não é difícil. Nos últimos meses esqueci-me de mim e da minha vida e entreguei-me à loucura selvagem do trabalho de sol a sol. Tanto Verão para viver e eu para aqui a gastar os dias e as noites entre sufocos condicionantes de alcatifas e ares condicionados... É tempo de mudar.
Lembro-me de acordar de manhã e olhar tudo à minha volta com a estranheza de quem não compreende como aterrou aqui, como se tivesse viajado no tempo e no espaço e não fizesse parte, de facto, desta era em que andamos para lá e para cá de carro e a falar ao telemóvel, como se tudo estivesse em suspenso para além de mim e eu pudesse pensar a realidade a partir de fora. Penso no tempo da terra. Não sinto o tempo da minha vida mas o tempo das coisas todas, o tempo do universo. Pergunto-me se o que podemos ter ganho supera tudo o que temos vindo a perder... Esta sensação é-me surpreendentemente dolorosa, desperta todas as minhas solidões adormecidas, domesticadas, aperta-me o pescoço até as lágrimas começarem a cair-me em silêncio. O meu corpo muda, fraqueja, não consigo fazer com que ele acompanhe a velocidade dos meus pensamentos. Permaneço demasiado tempo à espera de revelações, de explicações.
Quando chego aqui tento perceber o que me trouxe de volta à nuvem cinzenta das indefinições. Desta vez não é difícil. Nos últimos meses esqueci-me de mim e da minha vida e entreguei-me à loucura selvagem do trabalho de sol a sol. Tanto Verão para viver e eu para aqui a gastar os dias e as noites entre sufocos condicionantes de alcatifas e ares condicionados... É tempo de mudar.
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