8 de junho de 2010

Tejo e além Tejo






3 de junho de 2010

Swans

Hoje estive a ouvir os álbuns dos Swans que já não ouvia há muito tempo. Lembro-me dos meus pais ficarem preocupados comigo quando eu ouvia estas coisas aos quinze anos. Se calhar tinham razão. Cresce-se a ouvir isto e fica-se para sempre com a sensação de que nos falta um bocado de um órgão qualquer que nos permitiria sermos uns seres humanos mais organizadinhos. Acho que pela primeira vez oiço esta música enquanto me sinto verdadeiramente adulta. Conheço os acordes todos e os trejeitos vocais, ouvidos centenas de vezes ao longo dos anos. Parece-me tudo ainda melhor agora, com mais sentido. Olhando para trás, reconheço-me.




22 de maio de 2010

Moleza na área...

Crescer para cima

“Íamos subindo, e de socalco em socalco os jardins mudavam de fisionomia. Alguns tinham a forma de labirinto, outros a figura de um emblema, mas só se podia ver o desenho dos socalcos inferiores a partir dos socalcos superiores, de modo que descobri do alto a forma de uma coroa e muitas outras simetrias que não tinha conseguido notar ao percorrê-las, e que de qualquer maneira eu não sabia decifrar. Cada socalco, visto por quem se movia nele por entre as sebes, por efeito de perspectiva mostrava algumas imagens mas, visto novamente do socalco superior, fornecia novas revelações, possivelmente até de sentido oposto – e cada degrau daquela escada falava assim duas línguas diferentes no mesmo momento.”

O Pêndulo de Foucault, Umberto Eco

17 de maio de 2010

Paris



















Círculos



Já tinha ouvido este álbum dezenas de vezes, mas ainda não tinha visto o filme todo com atenção. Vi-o antes de partir para Paris, onde mais uma vez fui encontrar-me com a música dos Wovenhand ao vivo, aproveitando a desculpa para visitar uma grande, grande amiga e, claro, a cidade. E é curioso como os círculos que se fecham me trouxeram de volta a esta experiência, com as hordas motorizadas em formigueiro de gigantes a rolar pelo asfalto e os arcos de hula hoop a percorrer os corpos das heroínas do filme. Quando viajo em busca destes senhores, onde quer que vá, encontro-me muito mais inteira e regresso cheia de uma harmonia nova e circular, de uma sensação de completude lógica, saída das entranhas da esfera maior de todas. Agora tento chegar a casa. Tento regressar, perceber o que fazer com tudo o que ganho. E ganho finalmente coragem para ouvir as músicas novas que trouxe na bagagem. Deixo-me esmagar até à próxima peregrinação.

5 de maio de 2010

Radios play nothing whens she's far away

Curtia bué que a minha vida fosse um bocado mais sónica.


29 de abril de 2010

Pessoa

Abro muitas vezes o Livro do Desassossego aleatoriamente, porque é assim mesmo, o livro que não é livro e, geminiana desassossegada, encontro-me sempre nestas páginas. Passem os anos que passarem. Há muito tempo que não o abria. Hoje foi assim (e certo como sempre):

"O que tenho sobretudo é cansaço, e aquele desassossego que é gémeo do cansaço quando este não tem outra razão de ser senão o estar sendo. Tenho um receio íntimo dos gestos a esboçar, uma timidez intelectual das palavras a dizer. Tudo me parece antecipadamente frustre.
O insuportável tédio de todas estas caras, alvares de inteligência ou de falta dela, grotescas até à náusea de felizes ou infelizes, horrorosas porque existem, maré separada de coisas vivas que me são alheias..."

Hopefully, just above me, Heaven's watching over me

28 de abril de 2010

Raízes




















































































25 de abril de 2010

25 de Abril

Infelizmente os braços erguidos são cada vez menos, os cravos custam um euro cada, e a malta com o calor tem mais vontade de se juntar para beber cervejas... Será que um dia nos vamos todos esquecer de Abril? E quando morrer a geração destes braços?

13 de abril de 2010

Crise de identidade

Pergunto-me se é possível ser-se cristão e trabalhar num banco. Se é possível ser-se de esquerda e trabalhar num banco. Se é possível ser-se honesto e trabalhar num banco. Se é possível ser-se inteligente e trabalhar num banco. Se é possível ser-se feliz e trabalhar num banco. E respondo-me que só é, se não se pretender ser pelo menos duas destas coisas em simultâneo.

Lisbondres

Hoje no metro, na estação do Marquês, ouvi pela primeira vez a voz de uma senhora repetir "atenção à distância entre o cais e o comboio", que é como quem diz "mind the gap" em português. Depois às duas da tarde ia morrendo assada nos Restauradores e às cinco já chovia e fazia frio pela cidade toda. Pareceu-me que tinha trazido um bocado de Londres agarrado às solas dos sapatos.

Londres

Passei dez dias das últimas semanas em Londres e já pensei que devia ter escrito algo maravilhoso sobre o assunto para pôr aqui. Como se fosse uma obrigação. Adorei verdadeiramente a cidade. Tenho trinta e um anos, nunca tinha ido a Londres e cheguei com a alma muito cheia de coisas boas. Mas coisas que me parecem tão boas que só alguém tão bom como elas poderia escrever algo decente sobre o assunto. Além disso a Primavera deprime-me e baralha-me. Penso em milhões de coisas ao mesmo tempo e sonho acordada mas parece tudo muito pouco coerente, tudo fragmentado, estilhaços criativos que não consigo colar para fazer nada. E depois há a depressão sazonal e a tensão pré menstrual e o regresso ao trabalho (que saudades do regresso às aulas...) e a casa para arrumar e mais uma dúzia de boas desculpas para não ter de me obrigar a mais nada. Muito menos a escrever. Assim, para não ficar com a consciência totalmente pesada, posso simplesmente dizer que, entre muitas outras coisas de que gostei muito, vi isto, e isto e isto e isto e ainda isto e isto e podia continuar mas fico-me com apenas mais isto. Valeu tudo muito, muito a pena. E cresci.

8 de março de 2010

Curiosamente, até estou bem disposta



Instincts that can still betray us
A journey that leads to the sun
Soulless and bent on destruction
A struggle between right and wrong
You take my place in the showdown
I'll observe with a pitiful eye
I'll humbly ask for forgiveness
A request well beyond you and I

Heart and soul, one will burn
Heart and soul, one will burn

An abyss that laughs at creation
A circus complete with all fools
Foundations that lasted the ages
Then ripped apart at their rootsBeyond all this good is the terror
The grip of a mercenary hand
When savagery turns all good reason
There's no turning back, no last stand

Heart and soul, one will burn
Heart and soul, one will burn

Existence well what does it matter?
I exist on the best terms I can
The past is now part of my future
The present is well out of hand
The present is well out of hand

Heart and soul, one will burn
Heart and soul, one will burn