10 de janeiro de 2010

Precisamente isto

"Cada ves más, quedarme solo es volver a encontrarme con alguien que quizá siempre me acompaña, pero que únicamente aparece, reaparece, cuando no hay absolutamente nadie."

Ramón Gaya, Diario de Un Pintor

8 de janeiro de 2010

2010

Dois mil e dez. Dois zero um zero. Só hoje é que olhei para a data com atenção. Só hoje é que percebi que mudou o número e mudou o ano e também mudou a década.

6 de janeiro de 2010

Ressaca (do Português Suave)

Cêgripe, lenço de papel, chá quentinho, casaco de lã, xarope para a tosse, antibiótico, lenço de papel, mais chá quentinho, aquecedor, edredão de penas, anti-inflamatório, termómetro, lenço de papel, olhos a arder, garganta a doer, pastilhas, rebuçados, colheres de mel, tosse, tosse, tosse, quero fumar um cigarro... Aliás, quero fumar um maço de tabaco INTEIRO!

5 de janeiro de 2010

Tecituras




Há já algum tempo que me apetecia tricotar. Gostava de fazer um cachecol colorido, daqueles muito básicos, lã grossa, risca verde, risca amarela, risca vermelha, risca azul. Quando numa ida a uma loja de chineses vi meadas de lã alinhadinhas nas prateleiras a meia dúzia de cêntimos, fiquei ainda com mais vontade. No Natal, entre outras coisas, aproveitei para pedir à minha mãe que me relembrasse umas quantas coisas básicas e me emprestasse agulhas de tricotar. Das grossas! E desde então estou viciada no tricot e no cachecol que vejo crescer-me dos novelos e dos dedos com entusiasmo. Parece que tenho um jogo novo qualquer. Como quando fiz um puzzle de três mil peças e todos os dias pensava em vir para casa a correr para fazer mais um bocadinho. Mas como os jogos que viciam, a coisa entrou-me num destes dias pelo sono adentro quando estava ainda naquela vigília entorpecida do adormecer em que as coisas são sonhos e são coisas e se mistura tudo. Comecei a pensar num texto para escrever e estava a ditá-lo a mim própria para não me esquecer dele e de repente já estava a escrevê-lo aqui mas escrevê-lo era tricotá-lo nas minhas lãs coloridas e eu via o cachecol de ideias a crescer no ecrã do computador à medida que ia escrevendo. Lembrei-me de quando era pequena, jogava horas e horas de tetris e quando ia deitar-me fechava os olhos e adormecia a ver peças coloridas a cairem cada vez mais depressa pelo meu sono abaixo.

16 de dezembro de 2009

Sufjan Stevens

Gosto tanto das canções que este rapaz escreve

E porque é Natal e eu este ano estou particularmente natalícia


12 de dezembro de 2009

A Palavra

7 de dezembro de 2009

Partida

Fim de semana das viagens de autocarro entre as minhas duas cidades minhas duas casas minhas duas mães. Talvez me sinta mais feliz que nunca quando viajo por ser assim desenraizada, assim de um meio qualquer, de um entre sítios vários, casas, mães, raízes de fora. Hoje decidi prolongar a estadia e sair mais tarde. Pude passar mais tempo com a família e a lareira e os confortos de não fazer nada e ter tudo à mão. É já noite quando parto. Sento-me no autocarro. Chove bastante lá fora. Encosto a cabeça para trás e escolho a música que vou ouvir. O autocarro arranca e eu carrego no play. Imediatamente as imagens e as sensações se me atropelam garganta acima. E sou eu cheia de cores e dores a ir de um lado para outro e com tanta coisa cá dentro e as coisas todas precisavam de um sítio para estar mas eu não tenho esse sítio porque dentro de mim também há sempre comboios a partir e aviões a descolar e o clima é instável por isso não é fácil eles regressarem porque há sempre cheias e nevões e tempestades de areia e vulcões e as coisas nunca regressam ao mesmo sítio porque a lava e as avalanches são assim mesmo e tudo muda de sítio, tudo muda de sítio, nunca nada nunca mais outra vez igual me deixa descansar e ganhar raízes. E ainda por cima agora vai ser Natal outra vez. Volta a ser outra vez obrigatório as pessoas sentirem coisas boas, estarem felizes, em paz e harmonia. Volto a estar sempre triste por saber que não sou feliz, por saber que não consigo ser como as outras pessoas nessas coisas simples e banais como gostar de conduzir e de bebés e de caracóis e do Natal e da passagem de ano e de estar feliz porque é festa e é tempo de alegria. E gostava de ter coragem para ser o que devia ser mas para isso é preciso cortar logo as primeiras raízes mal elas comecem a nascer e eu sempre tive medo disso, da dor de as cortar logo em rebento e de tentar ir ganhar outras para outro sítio qualquer ou de tentar viver sem elas para sempre como algumas pessoas vivem sem um rim ou sem uma perna. Ainda assim, dizem que essas pessoas às vezes têm dores nos órgãos e nos membros que perderam. Deve ser o cérebro delas que não os quer perder. O meu se calhar não quer perder as raízes e por isso doem-me mesmo aquelas que nem chego a ter e as que eu já não tenho porque tive de as cortar para me nascerem asas. Sobre as asas é que eu percebo ainda menos. As pessoas voam muito muito muito mas depois caem mais que os aviões e toda a gente sabe que neste tipo de desastres há sempre muitas perdas...

29 de novembro de 2009

26 de novembro de 2009

Fermento

Fiz uma pequena grande viagem de três dias ao redor de momentos em que me encontrei como nunca me lembro de me ter encontrado. Demoro agora mais tempo a perceber coisas que sinto. Sei que o poder de me abrir ao mundo é meu mas não me sinto já dona do meu destino por saber que me posso espalhar por aí como a chuva num pequeno Inverno viajante. Alguém me dá a mão e me guia os passos trémulos até ao cimo das nuvens. Se não fosse essa mão e essa voz, nunca teria coragem de procurar coisas tão belas e tão grandes e que coubessem assim numa mãozinha fechada de horas. Sei-lhe agora melhor o olhar triste, adivinho-lhe os espinhos na alma, as dúvidas, as horas difíceis. Dentro do meu peito, volto a agradecer-lhe. Desta vez com muito mais certezas acerca de muito mais coisas e, sobretudo, de mim. Com a cabeça encostada à janela de um avião, olho para baixo e vejo montanhas cobertas de neve, campos verdes, árvores, lagos, algumas nuvens. De repente, percebo que já não tenho medo de me ir embora. Que a viagem maior de todas vale a pena por haver montanhas cobertas de neve e campos e árvores e lagos. Nada disto pode estar aqui por acaso. Eu não posso estar aqui por acaso. As palavras que aprendo e que me guiam não posso tê-las ouvido por acaso. Aprendo que a verdadeira felicidade não está no que tiro dos outros mas de mim própria. Sinto-me a crescer por dentro como a massa do pão que a minha avó benzia em cruz antes de por a levedar.

19 de novembro de 2009

Wovenhand em Salzburgo!!!!!!!


Nem acredito que estou quase a ver este senhor ao vivo e a cores outra vez.

Erlend Oye

Nunca pensei que podia achar tanta piada a um tipo tão teen-ager tão cenoura e tão caixa de óculos.



17 de novembro de 2009

9 de novembro de 2009

Cântico Negro

Tudo à minha volta padece de males de amor, tudo se ressente de discussões, desilusões, separações, saudades, ausências... Reciclamos. Revivemos. Reinventamos paixões. Sempre à espera de encontrar uma coisa qualquer, a tal da metade cujo sonho nos venderam ou, na falta dela, alguém que seja o mais parecido possível (pode ser que ninguém note a diferença). E para aqui vamos fingindo que somos modernos e independentes, que podemos ter relações umas a seguir às outras e seguir em frente sem sofrer nenhum arranhão. Que podemos continuar todos a ser amigos e a beber copos à esquina como se os sentimentos fossem e viessem ao ritmo das estações do ano, repetidos, idênticos, sem deixar marcas para o ano seguinte. Ironicamente, até as estações do ano agora deitam abaixo os castelos, porque já não há nuvens, só calor e secura fora de época. As sementes não germinam debaixo da terra. Secam e perdem-se para sempre. E eu vou-me apaixonando por coisas, figuras, músicas, filmes, actores e actrizes, músicos e cantores, pessoas que invento, retalhos deste e daquele e de mim para me manter viva e não enlouquecer. Nas histórias que me contavam, as mulheres casavam virgens e era para toda a vida. O almoço e o jantar estavam na mesa a horas certas, a roupa cheirava sempre bem e suportavam-se coisas com um estoicismo quase genético, sem questionar o sentido daquilo tudo. Cresci assim, rodeada de coisas antigas, no meio de um caos sólido e austero contra o qual comecei a revoltar-me muito cedo. Tive sempre vontade de ser livre e independente, acima de qualquer outra coisa. E sou. Livre. Independente. É muito fácil saber-se o que não se quer, difícil é o resto.

21 de outubro de 2009

Outono a sério pelas ruas da cidade

Mais um regresso.

11 de outubro de 2009