18 de novembro de 2008

Cabeça nas mãos



















Assim sofro pelo amor perdido

O desgosto fez-me perder metade do cabelo.


Vou pô-lo aos caracóis e arranjá-lo,
Pronta para o que der e vier...


in Poemas de Amor do Antigo Egipto

14 de novembro de 2008

8 de novembro de 2008

Not so funny games











Jogo um jogo para o qual não fui convidada e do qual não conheço as regras. Vou percebendo aos poucos o que fazer, quase por instinto, como se tacteasse um caminho na escuridão. O que mais me incomoda é jogar este jogo com alguém e sentir que é essa pessoa que dita as regras. Chateia-me porque sempre achei mais confortável fazer as coisas à minha maneira. Sabendo que se cair e esfolar um joelho ou partir a cabeça, não tenho de culpar ninguém. A responsabilidade da minha dor é exclusivamente minha.

Para algumas pessoas, culpar alguém pelas suas dores talvez possa minimizá-las um pouco. Isso é provavelmente instintivo, também, e não tem nenhum tipo de maldade subjacente. Tem antes um pouco de fé, pois se culparmos alguém ou alguma coisa isso faz de nós seres puros e inocentes, vítimas de um destino superior, do acaso ou simplesmente da nossa natureza e assim, desresponsabiliza-nos um pouco pelos nossos actos.

Eu prefiro acreditar que posso assumir a responsabilidade dos meus actos e das consequências negativas que eles possam ter. Prefiro pensar que dependem das minhas escolhas e decisões e que ser responsável por eles, bons ou maus, sem moralismos nem dramas, faz de mim um ser mais íntegro, mais coerente.

Sei que tudo isto pode não passar de uma ilusão que me imponho para acreditar que consigo coisas. Que consigo ir mais além neste curto espaço de tempo que temos para fazer um caminho. Sei que posso fazer-me acreditar no que eu quiser, quando eu quiser, mas que isso pode nunca mudar nada ou, simplesmente, não chegar a tempo.

Mas sei-o.

É por isso que me chateia jogar este jogo para o qual não fui convidada. Porque não sei o que é, como funciona, que hipóteses tenho de ganhar ou perder, e muito menos o quê.

26 de outubro de 2008

O pior nem foi ter decidido fazer este filme, mas ter feito todos os outros que o antecederam. E ter visto muitos. E ter esperado muita coisa deles. O pior... o pior ainda está para vir.

16 de outubro de 2008

Valsa Quase Antidepressiva

Dança comigo a primeira valsa da Primavera
Dança sem sonhos, esquece as promessas, ninguém nos espera
Já enchi os dias de lutas vazias: estou gasto, cansado, dormente
E a um pouco de sexo, ou muita poesia, ainda não fico indiferente
Fala comigo na palavra falsa da fantasia
Chovem amigos na festa da praça do meio dia
É certo que as flores parecem maiores que toda a virtude do mundo
Com um pouco de sexo, ou muita poesia, ainda me sinto profundo.

Se este mundo fosse feito para ser doce eu seria doce fosse eu quem fosse

Foge comigo na última volta da maratona
Nada comigo num lago indeciso de metadona
Já deixei as asas na cave da casa e as chaves no fundo do mar
Com um pouco de sexo, ou muita poesia, ainda nos vamos casar

JP Simões

7 de outubro de 2008

Valerá a pena?

E não é que os dias encolhem mesmo?
E o Sol.
E o tempo.
E o sono.
E a vontade.
A única coisa que não encolheu por aqui foi o trabalho...







15 de setembro de 2008

September Song

Well, it's a long, long time
From May to December.
But the days grow short,
When you reach September.
And the autumn weather
Turns the leaves to gray
And I haven't got time
For the waiting game.

And the days dwindle down
To a precious few
September, November
And these few precious days
I spend with you.
These precious days
I spend with you.

14 de setembro de 2008

A menina dança

11 de setembro de 2008

Silêncio

Silêncio. Embora adore todo o tipo de sons, esta é uma das palavras mais poderosas que conheço. Será porque a associamos à morte? Haverá mais silêncio noutro lugar que não na morte? E, no entanto, que tranquila é normalmente a face dos que já não estão no seu corpo. Podemos experimentar o silêncio à nossa volta de forma mais ou menos agradável, mas nunca com o poder com que sentirmos o nosso próprio silêncio, o que nasce cá dentro.
Lembro-me de apagar as luzes, de fechar as portas e as janelas, de ficar fechada no mofo e no escuro durante muito tempo, mas sempre houve vozes a acompanhar-me, a dar-me indicações, a guiar os meus passos trémulos pelos meus corredores. Essas vozes sempre me fizeram sentir velha por dentro, como se a minha vida tivesse muitas vidas dentro dela e assim, nesse abismo infinito, a minha história não tivesse um princípio com dia e hora marcados, ao contrário do que dizem os meus pais. E sempre aprendi, sempre cresci, mesmo quando tinha de ouvir aquelas coisas que nos magoam e nos aparecem passado muito tempo num sonho qualquer. Mas agora sinto que alguma coisa mudou. Embora haja já alguma luz a entrar, o silêncio é uma almofada gigante dentro do meu peito e eu acordo de manhã a cuspir bolas de algodão. Este silêncio só se sente quando se ouve e, por algum motivo, se fica surdo. Para sempre. É o tipo de silêncio que me afasta da realidade dos outros e me deixa descansar um bocadinho. Descansar dessas vidas todas que me envelhecem, descansar das vidas dos outros. Este silêncio é o meu Outono, é a minha morte, necessária para que haja Primavera dentro do meu peito outra vez e as vozes possam, então, não se calar.

5 de setembro de 2008

Way to Blue

4 de setembro de 2008

Salvem os macaquinhos do sótão

Nos últimos dias os macaquinhos do meu sótão têm estado meio ausentes. Passam muito tempo a ler cartas antigas, a ver filmes daqueles em Super 8, amarelos e cheios de riscos. Contam histórias uns aos outros, pensam nos tempos em que foram felizes, olham pela janela e suspiram. De vez em quando levantam-se, abrem a janela e inspiram o ar fresco para se manterem despertos para o mundo que está lá fora. Não peçam é aos macaquinhos para se concentrarem em coisas práticas do dia-a-dia, porque agora eles não vão conseguir. Agora só querem viver das suas memórias como se já fossem muito velhos e o mundo já não tivesse nada de bom para lhes ensinar. Eles abrem os jornais e acham que está tudo mal no mundo inteiro, que isto vai ser sempre igual, dia após dia, ano após ano, ou então que isto está tudo cada vez pior, como os velhinhos. Se alguém lhes perguntar alguma coisa eles vão demorar a responder ou então não respondem porque estavam distraídos e não ouviram. Não lhes apetece trabalhar, não lhes apetece conversar com outras pessoas, não lhes apetece ouvir música, não lhes apetece comer nem beber e dormir é difícil porque estão cheios de insónias. Acordam a meio da noite e pensam que o cão da vizinha devia morrer ou que a própria vizinha, a dona do cão, devia morrer, ou que todos os inquilinos do prédio deviam morrer. E no fundo os macaquinhos até são bonzinhos, estão é numa fase má. Por isso deve dar-se-lhes espaço e tempo para eles remexerem nos baús todos porque eu sei que eles mais dia menos dia hão-de fartar-se. Até lá talvez alguém possa ter alguma ideia. Vamos esperar.

1 de setembro de 2008

A normalidade é um mito

"Ora bolas, a nossa história de amor é mesmo especial! Nada convencional, admito, mas há alguma coisa que seja convencional? Basta levantar a tampa de qualquer vida e o que se vê a borbulhar é estranheza; por trás de cada porta só há idiossincrasias e bizarrias. A normalidade é um mito. Os seres humanos não são normais. Somos uma raça esquisita, essa é que é a verdade: apanhada, chanfrada."


19 de agosto de 2008







Os dias para ele são sempre cinzentos.

E eu ainda me queixo dos meus!

18 de agosto de 2008

Sonho de uma noite de Verão


Nem sempre podemos fazer as coisas quando queremos e como queremos. O que acontece normalmente é que fazemos planos, para as coisas correrem sempre de forma absolutamente diferente do que planeámos. O meu último fim de semana é a prova irrefutável de que o dia 15 de Agosto é o pior dia do ano inteiro, pelo menos na península ibérica, para tentar planear sair de casa, seja para onde for.
A ideia começou por fazer sentido porque é Verão, porque eu e o Zé gostamos de ir à praia, de acampar, de passar alguns dias num sítio longe de Lisboa, do trânsito, do computador, da playstation e dos programinhas da TV. Parecia perfeito imaginar-me num canto qualquer com uma pequena tenda e uma rede, à sombra de uma árvore a ler um livro ou simplesmente a dormitar ao som do vento e do canto dos pássaros. E assim, uma pequena tenda, uma rede, umas mantas para por no chão e alguma roupa são metidos num carro para zarpar rumo à costa vicentina, com um camping como destino. Para ajudar, o Zé decidiu estrear o GPS e contámos com um simpático clone da Conceição Lino a dizer-nos para virar à esquerda ou à direita, sem termos de andar às voltas com um mapa gigante que eu tenho sempre dificuldade em voltar a dobrar da mesma maneira.
Chegados ao camping, percebemos que não ia haver espaço para tranquilidades porque meio Portugal e mais um ou dois quintos de Espanha decidiram enfiar-se em tendas nos metros quadrados mais próximos da nossa costa. Camping um, camping dois, camping três, enfim... Muitas tentativas e muitas centenas de quilómetros depois, eis-nos a aterrar em Sesimbra, no meio da noite, para nos enfiarmos num pequeno iglo entre vizinhos com graves problemas respiratórios que me impediram de pregar olho a noite inteira. Tudo junto só podia melhorar ainda mais com uma bela reviravolta do clima que nos presenteou com umas gordas nuvens cinzentas por cima da cabeça, a descarregar um pouco da sua ira molhada sobre o que restava do projecto de fim de semana e do pequeno sonho de Verão. Ainda tentámos tomar o pequeno almoço e descemos a encosta rumo ao bar, passando pela ala das famílias que levam tudo o que possa haver em lona ou plástico e montam as suas vivendas de férias em dois metros quadrados, mas a chuva molhou-nos o café e, assim sendo, desistimos.
Dissemos adeus ao fumo das sardinhas, à chuva na praia, às tendas, aos estóicos campistas que ficaram para trás na fila para o duche quente com os chinelos na mão, na fila para a casa de banho, na fila para o pão, na fila para o café, na fila para entrar ou para sair e regressámos a casa, à nossa cama confortável, ao nosso sofá e à TV e ao computador e à internet e à Playstation e passámos o resto do fim de semana tranquilamente enroscados em lençóis lavados a cheirar a amaciador. (O nosso gato agradece a nossa companhia a todas as famílias que decidiram acampar este fim de semana!).

10 de agosto de 2008

Nostalgias


Falta-me tempo dentro da alma, por isso não tenho calma. Sufocam-me os dedos dos outros por entre os meus dias vazios e já não consigo escolher desenrolá-los do meu pescoço. Quem me dera que os dias e as noites voltassem a ser só isso mesmo e os cheiros das coisas andassem de novo no ar. Subir a um banco e espreitar à janela as cores que passam na rua. Outra vez as nuvens, o mar, o pão e sabê-los de cor no meu peito e na minha língua e desmontar problemas e correr sem apanhar ninguém.
Para quando o final destas dores de regressar, destas ânsias de procurar-me onde me perdi? Espero sentada à luz de um candeeiro que as chuvas regressem à minha cidade para percorrer as suas infinitas ruas debaixo do avassalador cinzento do Inverno porque já não sei distinguir o Verão no meio das coisas todas que me pedem para fazer.